Tiago Brandão, The Browers Company. Coragem: Uma competência-chave para as lideranças e para os gestores de RH

Human Resources
13 de Dezembro 2023 | 14:00
Tiago Brandão, The Browers Company. Coragem: Uma competência-chave para as lideranças e para os gestores de RH

Vamos directos ao assunto: os gestores de Pessoas têm de ter (ainda mais!) coragem nas decisões aplicadas à gestão de Recursos Humanos (RH) e seus processos, nos dias que correm. Porquê? É a reflexão que proponho.

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Por Tiago Brandão, director-geral da The Browers Company

 

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Em primeiro lugar, têm de ter mais coragem porque a pressão para o resultado imediato, em contexto de volatilidade e imprevisibilidade, está a comprometer a capacidade de os gestores e as suas equipas actuarem sobre objectivos de médio ou longo-prazo. Em consequência dessa pressão, as pessoas são envolvidas num “rolo compressor organizacional” em que tudo “é para já e agora”, o sentimento de contingência é constante e, por isso, a sensação de descontrolo sobre o tempo é permanente. Tal não é sustentável! Não vai acabar bem para as pessoas, para as suas organizações e para as suas lideranças. Aliás, são já notórios os impactos nos índices de burnout e turnover, e até nos níveis de conflituosidade nas equipas.

Em segundo lugar, porque a “perseverança” e a “paixão”, enquanto atitudes das pessoas perante o contexto acima, serão ainda mais determinantes para o sucesso e sustentabilidade das empresas e suas organizações. Ora, os riscos de dissolução da cultura organizacional (ou de se conseguir desenvolver uma!) são maiores pós-pandemia. Pensemos nos novos regimes híbridos de trabalho (presencial e remoto), somemos-lhe a diversidade geracional dentro das equipas e ainda a multiculturalidade crescente, e consegue-se antecipar o maior risco de diluição e dissolução do sentimento de “propósito” colectivo e “valores” nas organizações.

É preciso coragem para assumir este contexto e tomar medidas concretas, muitas vezes estranhas aos processos tradicionais de gestão de Recursos Humanos! Exemplos concretos?

Na minha opinião, deve ser aplicada à gestão de talento (ou será mais corajoso falarmos de Gestão de “fazedores qualificados e comprometidos, independentemente da idade”?); ser usada em instrumentos de compensação e benefícios (que estão a evoluir para gestão da flexibilidade e recompensa personalizada); e também na gestão laboral da relação pessoa-empregador (para que permitam admissão e descontinuação contratual mais estratégica e menos circunstancial ou oportunista).

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Por último, quando aplicada à cultura organizacional, que precisa de ser reforçada ou protegida nas empresas, exige-se coragem na revisão (e mesmo reversão!) de políticas relativas a regimes de trabalho híbridos, tornando-os mais presenciais e menos opcionais no que ao “vir ou não vir ao escritório” diz respeito.

A “coragem” aqui referida enquanto competência dos gestores de Pessoas não é medida pela capacidade de contrariarem e/ou rejeitarem e/ou defenderem ideias diferentes das que gestão de topo preconiza para os seus RH.

A “coragem” que advogo como competência de líderes e gestores de RH mede-se pela capacidade de assumirem um papel duplo nas suas organizações: conciliarem implementação e medidas e decisões que apoiem o resultado do negócio com medidas que promovam o desenvolvimento, reconheçam o desempenho e impactem o compromisso dos RH.

Algo muito diferente de ser corajoso num só dos dois sentidos… Haja coragem!

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Este artigo foi publicado na edição de Novembro (nº. 155) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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