
Verificando se não é um robot…
Por Alexandra Barosa, directora executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Managing partner da ABP Corporate Coaching
Num mundo dominado por Inteligência Artificial e redes sociais, já não basta ter boas respostas. O que realmente nos distingue — o que nos torna líderes e não apenas seguidores — é a qualidade das perguntas que fazemos.
A Arte do Questionamento é uma competência essencial e transformadora. Saber perguntar é ativar a curiosidade com intenção, é provocar pensamento, é criar conexão. E essa arte, quando praticada com consciência, torna-se uma alavanca poderosa para obter resultados concretos — seja para nos relacionarmos melhor com os outros (humanos ou máquinas), seja para nos compreendermos a nós próprios e transformarmos a forma como vemos o mundo.
Não existe uma fórmula mágica para a “pergunta certa”. Só sabemos se a pergunta foi eficaz ao observar os efeitos que provoca. Mas uma coisa é certa: perguntar bem tem um potencial ilimitado. Eis algumas das razões pelas quais esta prática deveria ser cultivada por todos, sobretudo por quem lidera — ou aspira liderar:
- Envolvimento – uma boa pergunta motiva, aproxima, gera compromisso;
- Descoberta – abre espaço ao diálogo, à escuta e à exploração;
- Criação – convida à inovação e estimula o pensamento fora da caixa;
- Mudança – desafia pressupostos e atualiza crenças instaladas;
- Alinhamento com valores – conecta-nos ao que é essencial e significativo;
- Foco – corta o ruído e orienta para os resultados que realmente importam;
- Ação – transforma abstrações em passos concretos e mensuráveis.
Quem procura a tão desejada “poção mágica” da liderança deve começar por aqui: dominar a Arte do Questionamento. Esta prática é tanto cognitiva como emocional. Vai além da lógica e entra no território da escuta ativa, da empatia e da intuição. É nesse espaço, entre a pergunta e a resposta, que nasce a verdadeira transformação.
Mais ainda: é esta arte que nos diferencia das máquinas. A IA responde, sim. Mas só nós podemos formular perguntas que abrem caminhos inesperados. É o questionamento que define a qualidade dos nossos prompts, das nossas interações com a tecnologia — e também o nosso espírito crítico perante o que consumimos nas redes sociais e nos meios digitais.
Quer o seu papel seja liderar outros ou simplesmente liderar-se a si mesmo, invista nesta mestria. Treine a sua capacidade de perguntar. Participe em formações, desenvolva competências de coaching, reabilite o hábito da curiosidade. E liberte-se da ideia, enraizada desde a infância, de que fazer perguntas é incómodo, mal visto ou sinal de insegurança.
No fundo, quanto mais desenvolvemos a Arte do Questionamento, mais humanidade encontramos nesse ato simples e poderoso de querer saber — e mais claro fica que, não, definitivamente não somos robots.