Melhoria contínua: A bola do lado de cá

Leonor Martins
23 de Agosto 2019 | 10:45
Melhoria contínua: A bola do lado de cá

Porquê e para quê desenvolver um programa de Melhoria Contínua? Peter Drucker explica isto de uma forma simples: Porque “não há nada mais inútil do que fazer eficientemente aquilo que já não deveria ser feito”.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

Por Bruno Moura, head of “Improving Our Work” (IoW) na Sonae Sierra

 

Nas grandes organizações isto é notório, pois são inúmeros os casos diários em que se faz aquilo que já não cria valor para o cliente, se repetem erros, se perdem oportunidades de negócio ou se automatizam processos ineficientes.

Continue a ler após a publicidade

Assim, é fundamental que as organizações incentivem uma cultura e práticas de Melhoria Contínua, estabelecendo programas consistentes, acarinhados pela gestão de topo, com uma ambição de médio/ longo prazos, e focados em quatro elementos críticos:

  1. Clareza no propósito da organização, para que todos consigam definir prioridades adequadamente e alocar os recursos disponíveis aos projectos/ tarefas que trazem maior benefício à organização;
  2. Formação e acompanhamento, para suportar os negócios a se alinharem cada vez mais com o propósito da organização, focarem no cliente, simplificarem e aprenderem com os seus insucessos;
  3. Monitorização contínua, porque dificilmente se melhora aquilo que não se mede;
  4. Envolvimento e reconhecimento, para que todos, todos os dias, sem excepção, queiram praticar a Melhoria Contínua.

Mas convém usarmos dados para legitimarmos estas convicções: idealizem uma organização onde, no último ano, cada colaborador implementou uma melhoria que gerou, em média, três mil euros de benefícios adicionais. Existe, e desde o lançamento do lançamento do programa de Melhoria Continua “Improving Our Work” (IoW), em 2012, a Sonae Sierra implementou mais de 3800 iniciativas de melhoria, que resultaram em benefícios directos e indirectos superiores a 11 milhões de euros, apenas contabilizando o impacto no primeiro ano. Só nos centros comerciais geridos em Portugal, Espanha, Itália, Brasil e Alemanha, o IoW contribuiu para a realocação de 16 mil horas para tarefas de maior valor, tais como a melhoria dos níveis de limpeza e vigilância nos Centros, a redução da burocracia administrativa e a redução do tempo de espera dos clientes.

Se as organizações colocarem em prática uma atitude de contínua insatisfação e de querer fazer sempre melhor, um dia, comportamentos de Melhoria Contínua serão tão naturais como respirar e, nessa altura, qualquer programa de incentivo a estas práticas tornar-se-á desnecessário.

Mas, para tal acontecer, temos de querer ter a bola do lado de cá. Porque, para realmente fazermos Melhoria Contínua, ninguém numa organização pode afirmar que a bola está do lado de lá. Ela tem de estar deste lado, na mão de cada um de nós.

Continue a ler após a publicidade

 

Partilhar


Mais Notícias