O (fantástico) poder de adaptação do ser humano à mudança

Por Catarina Olim, membros da Comissão Executiva do Grupo Português de Coaching da APG

 

O ser humano sempre teve uma capacidade incrível de se adaptar às mudanças exigidas.

Veja-se o exemplo da alteração postural quando nos tornámos bípedes, do polegar oponível para uma melhor preensão e motricidade fina, duma dentição a modificar-se de acordo com a alimentação, entre tantas outras transformações. Poderia continuar num inúmero rol de ajustes que o ser humano tem vindo a fazer ao longo dos anos, mas dou agora um salto de vários milénios, para o momento em que o vírus que veio abalar completamente as nossas vidas, se instalou, há pouco mais de um ano. Tem sido, desde então, dado especial relevo a esta habilidade para enfrentar a mudança e percebemos como a exposição a novas experiências e a novos desafios despertam habilidades que se julgavam inexistentes.

E não demorámos a encontrar os benefícios destes “novos” tempos, afinal quantas vezes não é referido que passamos menos tempo em filas de trânsito, temos menos preocupações com o vestuário, temos uma alimentação mais caseira, passamos mais tempo em família e acompanhamos mais os nossos filhos?

Esta capacidade adaptativa e as características resilientes demonstradas ao longo deste ano, contrastam com a ideia instalada que o ser humano tem dificuldade em sair da rotina. Esta, permite que o cérebro gaste menos energia em comportamentos automatizados e opomo-nos muito à sua mudança. Acresce que toda a insegurança e incerteza relativamente ao futuro causadas por este cenário pandémico torna-se também cansativa para o cérebro. Mas mais uma vez, mostrámos a capacidade adaptativa ao tornarmos esta “nova” rotina na habitual, crendo-se, inclusive, que muitos profissionais tendam a procurar manter as suas actuais condições de teletrabalho.

 

Mas há algo que indelevelmente perdemos, que dificilmente será recuperado: a sociabilização.

Passámos a trabalhar através do Zoom, a ter aulas pelo Teams, a realizar reuniões utilizando o Webex, a fazer chamadas de vídeo por Skype, a participar em aniversários através do Meet e a ouvir conferências pelo Clubhouse. E sei que deixo de fora tantas outras aplicações que nos têm sido tão úteis neste último ano.

O crescimento das redes sociais, e inclusive o aparecimento de novas plataformas, tem aumentado a tendência para o isolamento e a inexistência de uma vida social.

Hoje gostaria de abordar, modestamente, a vida social associada aos eventos. Afinal, o que nos faz ir a um evento? Vamos com certeza à procura de obter novos conhecimentos, de nos atualizarmos, de encontrar oportunidades, de conhecer o estado da ciência, de obter certificação, … E tudo isto é passível de ser mantido no on-line, mesmo que com os seus prós e contras.

Logo, parece que neste campo do conhecimento, à excepção das entidades ligadas à organização de eventos que têm o seu ganha-pão ameaçado, tudo é um mar de rosas. Mas não, não é verdade. Porque há um papel inegável que os eventos têm, e que mesmo não fazendo parte dos seus objetivos ou agendas, não pode ser ignorado: são, por excelência, um dos locais onde aumentamos a nossa rede de contactos, em que autores e leitores trocam livros e autógrafos, cruzam-se palestrantes e participantes, aproximam-se compradores e vendedores, professores e alunos invertem papéis, experimentamos novas tecnologias, contam-se histórias, onde encontramos parceiros de longa data, colegas que se tornaram amigos, pessoas entre quem uma troca de olhares e de palavras é um momento único, abraços prolongados, momentos de cumplicidade que não são passíveis de se viver num evento on-line.

E é disso que estamos todos ávidos, de relações sociais presenciais! Andamos talvez um pouco saturados do que nos retirou esta parte da relação, que nos obrigou a um afastamento físico, fartos de eventos através do ecrã.

Contudo, mesmo não sendo a mesma coisa, distanciamento físico não pode ser sinónimo de distanciamento social. Por isso até lá, até que seja possível voltarmos à emoção das experiências presenciais, aproveitemos esta capacidade evolutiva que nos caracteriza e os benefícios indubitáveis que as plataformas da internet nos oferecem.

Por tudo isto, porque seriam maiores os prejuízos de estarmos parados, que continuamos a trabalhar, deste lado do ecrã, e em Maio, celebramos mais uma Semana Internacional do Coaching (de 17 a 21, 5 dias, 5 temas, às 5 da tarde). Sim, será online, por enquanto e a bem da saúde de todos nós! Vamos aproveitar para discutir uma série de temáticas e criar sinergias, vamos aproveitar para criar memórias que teimem em ficar para além dum ecrã!

Em breve, poderão consultar o programa completo no nosso website, mas para já ficam as temáticas:

  • Coaching Ético & Profissional
  • Conhecimento do Coach
  • Self-care do Coach
  • Coaching & Felicidade
  • Coaching na Lusofonia

 

 

 

 

 

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