Qualidade de vida no trabalho e performance organizacional

É tempo de perceber a importância que as componentes comportamentais e subjectivas podem ter no reforço da performance organizacional.

 

Por João Leitão, Dina Pereira e Ângela Gonçalves

 

A qualidade de vida no trabalho está associada à satisfação no trabalho, motivação, produtividade, saúde, segurança e, indissociavelmente, ao bem-estar. A relação entre a qualidade de vida e a produtividade tem vindo a ser objecto de estudo, mas seguindo, sobretudo, uma abordagem económica, na perspectiva de melhor conhecer os factores que afectam o binómio resultado versus recursos alocados, com a tónica colocada na eficiência operacional.

Contudo, muito há por aprofundar no que respeita à abordagem comportamental da economia organizacional, que valoriza o papel assumido pelos líderes ou gestores responsáveis na criação de dinâmicas de qualidade de vida no trabalho e bem-estar nas organizações.

Há certas componentes da qualidade de vida no trabalho que continuam inexploradas, tais como as necessidades sócio emocionais e psicológicas dos trabalhadores e a valorização de activos intangíveis relacionados com a cultura organizacional de equipa unida e socialmente responsável. Essas componentes, ainda não tão extensivamente estudadas, requerem uma visão mais comportamental e, por esse motivo, mais subjectiva, no sentido de melhor desvendar as componentes da qualidade de vida no trabalho que podem ter maior influência na satisfação no trabalho, na motivação intrínseca e extrínseca, na produtividade, mas também no sentimento mobilizador da vontade própria do colaborador em participar com a dedicação individual no esforço colectivo de reforço da performance organizacional, por intermédio da produtividade.

Torna-se então necessário saber mais sobre as motivações não económicas (comportamentais e subjectivas) que levam os colaboradores a contribuir prontamente para o fortalecimento da produtividade da sua organização.

De acordo com a visão mais recente dos indicadores de produtividade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), há uma elevada variabilidade de produtividade de organização para organização; o que sinaliza a necessidade de realizar mais estudos sobre os factores determinantes individuais da produtividade organizacional. Aqui requer-se uma mudança de foco, da análise estritamente macro, para uma análise inovadoramente micro, com foco no indivíduo e nos mecanismos de decisão do foro comportamental e subjectivo.

Os resultados
O estudo científico aqui apresentado, de forma sumária, foi recentemente desenvolvido no âmbito de um projecto de colaboração europeu, assumindo uma importância particularmente relevante, na medida em que é parco o conhecimento acerca das condições necessárias para promover as componentes comportamental e subjectiva de satisfação com a qualidade de vida no trabalho, tendo como foco inovador o sentimento de contribuição de cada colaborador para promover a produtividade da sua organização pública ou privada.

O objectivo principal do estudo foi revelar a satisfação dos colaboradores com as oportunidades e condições fornecidas pelo seu empregador tendo em conta a qualidade de vida no trabalho e os interesses em ter um estilo de vida mais saudável, satisfatório e feliz, bem como o modo como o local de trabalho pode oferecer oportunidades que contribuam para melhorar a produtividade, através do reforço do bem-estar.

Este estudo revela, de forma pioneira, a importância das componentes comportamentais e subjectivas da qualidade de vida no trabalho e a sua influência na constituição do desejo individual do colaborador contribuir para a produtividade da organização. A recolha de dados baseou-se na administração de questionários, de Abril a Julho de 2018, em doze parceiros, de seis países Europeus: Itália; Bulgária; Chipre; Grécia; Espanha; e Portugal. A amostra abrangeu 514 questionários, de pelo menos 15 empresas privadas e cinco entidades públicas ou grandes empresas, e duas entrevistas, por parceiro europeu participante.

 

Leia o artigo completo, com todas as conclusões no estudo, na edição de Janeiro da Human Resources, nas bancas.

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