Durante anos, falar de electrificação nas frotas foi falar de intenção. 2026 marca o ponto de viragem.
Texto: Hugo Soares, Head of Fleet Sales da Volvo Car Portugal
Sustentabilidade, inovação, compromisso ESG. Projectos piloto. Testes controlados. Planos estratégicos desenhados para vários anos. Em 2026, a conversa mudou.
Para muitas empresas portuguesas, das grandes frotas às PME, a questão já não é “se” devem electrificar. É “como” fazê-lo com rigor, previsibilidade e escala. E esta mudança semântica é tudo menos irrelevante. Quando o debate passa do “será que funciona?” para o “como implementamos melhor?”, significa que o mercado atingiu maturidade.
Os números confirmam essa transição. Em 2025, os veículos ligeiros de passageiros 100% eléctricos registaram 52256 matrículas em Portugal, um crescimento de 25,1% face ao ano anterior. O peso dos BEV no total do mercado de ligeiros novos atingiu 23,2%. Quase um em cada quatro automóveis novos vendidos no país já é totalmente eléctrico.
Isto não significa que todas as dúvidas desapareceram. Significa algo mais relevante: a electrificação entrou numa fase pragmática. Menos discurso, mais execução. E nas frotas, execução significa gestão.
DA ALTERNATIVA À EQUIVALÊNCIA PRÁTICA
Houve um momento em que o eléctrico era comparado com a combustão a partir da lógica da concessão. Interessante, mas com compromissos claros. Mais caro à partida. Autonomia a analisar com cuidado. Infra-estrutura a mapear caso a caso.
Hoje, em muitos segmentos, começamos a falar de equivalência prática. Não é uma paridade teórica num slide. É aquela que o decisor sente quando compara propostas equivalentes e percebe que o custo mensal pode ser competitivo quando se considera fiscalidade, energia e manutenção, que a autonomia cobre com folga a maioria das missões reais de frota e que o produto já não obriga a escolher entre eficiência e desejo.
Quando o conflito entre racional e emocional desaparece, desaparece grande parte da resistência interna. E é aqui que as frotas são um barómetro extraordinário: não compram tendências, compram previsibilidade, segurança, consistência e serviço.
FISCALIDADE: O DETALHE QUE ACELERA A ESCALA
Em Portugal, a fiscalidade tem sido um catalisador claro da electrificação corporativa. E há um número que se tornou referência nas decisões: 62500 euros, sem IVA.
Até esse valor, as viaturas 100% eléctricas beneficiam, em muitos enquadramentos, de isenção de tributação autónoma. Acima desse patamar, aplica-se taxa sobre o excedente. O mesmo limite é determinante na lógica de dedução de IVA em contexto empresarial.
Mais do que um detalhe técnico, este patamar funciona como instrumento de disciplina. Obriga a configurar bem a viatura, a definir políticas claras e a alinhar decisões financeiras com regras fiscais. A electrificação ganha escala quando a empresa reduz fricção, e a complexidade administrativa é uma fricção real.
A mensagem não é desenhar produto para a fiscalidade. É reconhecer que, quando o produto encaixa bem neste racional, a decisão torna-se mais simples e a implementação mais rápida.
TCO REAL: O QUE PESA NA OPERAÇÃO
Depois da fiscalidade, há um indicador que decide mais do que qualquer discurso ambiental: o TCO real, aquele que se sente no terreno.
Um veículo eléctrico tende a simplificar a manutenção, com menos componentes sujeitos ao desgaste típico de um motor térmico. Para um gestor de frota, isto traduz-se em disponibilidade do activo. Numa grande frota, cada viatura parada é produtividade perdida. Numa PME, cada imprevisto tem impacto directo no negócio.
Falamos, portanto, de uptime. Menos paragens não planeadas. Menos interrupções. Menos ruído na gestão. Mais previsibilidade. Mas existe uma variável que não cabe totalmente no Excel: a experiência do condutor. A adopção não se impõe, conquista-se. Se o colaborador sente que o eléctrico complica a sua rotina, resiste. Se sente que simplifica, acelera.
No universo corporate, o automóvel tem hoje três camadas de valor muito claras. Operacional, porque cumpre deslocações e garante disponibilidade. Humana, porque reforça conforto, segurança e bem-estar. Reputacional, porque materializa compromissos ambientais e influencia a atracção e retenção de talento. Quando estas três dimensões se alinham, a transição deixa de ser um risco e passa a ser uma evolução natural.
QUANDO CARREGAR DEIXA DE SER UM EVENTO
Durante anos, autonomia e tempo de carregamento foram o principal travão psicológico e operacional. Em 2026, começamos a entrar numa fase diferente: a do eléctrico que acompanha o ritmo do mundo real.
É aqui que um produto pode funcionar como prova, não como anúncio. O novo Volvo EX60 nasce precisamente neste contexto. Com autonomia anunciada até 810 km e arquitectura eléctrica de 800V, suporta carregamento rápido até 400 kW. Em termos práticos, isso significa poder recuperar até 340 km de autonomia em cerca de 10 minutos, ou carregar de 10% a 80% em aproximadamente 18 minutos, dependendo das condições e da infra-estrutura.
Para um gestor de frota, a leitura é simples: quando carregar deixa de ser um evento, a electrificação ganha escala.
Há ainda um ponto relevante para o racional empresarial. Em Portugal, o EX60 é anunciado para empresas desde 50650 euros mais IVA, posicionando-se de forma particularmente interessante face ao patamar fiscal de referência. Para muitas PME, mais importante do que o preço de aquisição é a previsibilidade mensal. Soluções de renting desde 739 euros mais IVA, com serviços incluídos, transformam investimento em custo operacional claro e planeável.
Com as primeiras entregas previstas para o Verão de 2026, o EX60 simboliza esta nova fase do mercado. Não é apenas sobre autonomia ou carregamento. É sobre alinhamento entre fiscalidade, TCO, experiência de utilização e segurança. É sobre reduzir fricção na gestão e aproximar a mobilidade eléctrica do ritmo real das empresas.
A electrificação deixou de ser um salto de fé. Em 2026, é uma disciplina de gestão. E quando produto, enquadramento fiscal e operação convergem, a pergunta deixa de ser “porquê eléctrico?” e passa a ser, simplesmente, “porque não?”.
Este artigo faz parte do Suplemento “Gestão de Frotas”, publicado nas edições de Março da Human Resources (nº. 183) e Marketeer (nº.356).
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.











































































































































































































